quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

entendi que eu preciso ler, escrever e chorar. não necessariamente nessa sequência. são minhas atividades para se esvaziar e ficar mais leve. tava reparando em mim mesma (essa tem sido minha melhor atividade diária) e percebi que choro todos os dias. e pensei que isso deveria ser alarmante, pra que tanta lágrima? não sei pra quê, às vezes mal sei porque, mas sei que é o que tenho feito. até que o oceano que transborda na minha alma se esvazie um pouco. e não fique insuportável carregar tanta emoção no peito e tanto pensamento na cabeça. gosto de cheiro de chuva, sentar na sacada, ouvir blues e conversar com os espiritos maravilhosos que me acompanham. então é ai que se dá minha paz. uma paz tão delicada, que qualquer pensamento pode rasgá-la. eu cultivo pelo maior tempo que consigo. então lembro de você. e dos caras que eu tenho saido que realmente não tem muito a vê comigo. e fico bolando um trilhão de teorias psicológicas, espirituais, do acaso, mundanas, sobre o por quê da minha auto-sabotagem. quando quase volto a chorar, eu brinco de voltar pra paz. é um jogo que fiz comigo, pense em tudo que você acha que tá foda de aguentar, até bater aquela vontade de chorar. pois bem, chore sem drama, só sinta e chore. dai respira, agradeça e sinta a paz. seja a paz.



(gratidão!)




"penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. são coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim”. - Caio Fernando Abreu (que tem a alma mais feminina que já li)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

a tua solidão é tão vasta quanto a minha. confessa. tuas noites são povoadas por saudades. e memórias. tu também olhas pela janela nas altas madrugadas desejando um amor. em segredo. sei que também desejas, assim como eu, que a mente silencie, que só o coração diga nos momentos sem controle. e também te perdes, caminhos errados, pessoas estranhas – o santo não bate, lembra? ninguém desconfia das tuas angústias. nem mesmo eu. e então, com meia dúzia de palavras bonitas, mas difíceis, tu te desnudas, sem querer. sem querer? só te imagino intencional. de intenções que nem sei. és um aviãozinho de papel a vagar pelos ventos sem rumo. engana-te se achas que é possível ser terrivelmente feliz nestes esconderijos. excesso de proteção não é felicidade, é medo. abre-te para os encantos. é lá que moram os olhares encontrados, a pele arrepiada, o beijo gostoso, o pé que encosta no outro sem aviso. e, ah, as mãos dadas! tu me encantas. longe, perto, sem saber, até hoje.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

deixa balançar a maré...

acho que já devo ter nascido afobada. eu sinto as coisas rápidas. posso te descrever as possibilidades de uma vida inteira por horas, se quiseres, meu amor. eu nunca soube ser discreta. sempre digo que vou tentar ser menos displicente com meus (a)casos. preciso me confessar algo: eu tenho mentido pra mim. descaradamente. eu podia me envergonhar por isso, mas eu me conheço. eu vou fazer birra de momento, e depois chorar todas as dores que eu trago no peito pra inventar desculpa pra chorar mais um pouco. é que o limite é ilimitado, sabe? mas é preciso testar pra saber que coragem são pra poucos, não bons. e eu só preciso que tu segure minha mão. sem me perguntar nada, de preferência.






depois de um bom tempo de recesso...





"Dai-me Senhor, a perseverança das ondas do mar, que fazem de cada recuo um ponto de partida para um novo avanço"