domingo, 28 de junho de 2015

de tudo aquilo que estou exausta

gostaria de expressar toda a minha raiva nada canalizada, porque ela evapora pelos meus poros. eu to cansada de ser quem eu sou. estou cansada de ter crises existenciais, de acreditar no mistério da vida/deus, de saber sobre o destino dos meus sentimentos, de querer ter controle de tudo, mas não saber como pode ser diferente. estou cansada das pessoas não me entendendo, e achando tudo muito exagerado da minha parte. estou exausta de gente que não sabe o que falar e tenta me animar. estou cansada da (d)trama da história da minha família, estou cansada de querer ser sensata e na verdade ser cada vez mais otária. estou cansada de parecer inteligente, estou cansada de ter que ser equilibrada, estou cansada de me segurar pra não dar na cara de várias pessoas, estou cansada de engolir palavras que me entopem o fluxo das emoções. estou cansada de chorar por tudo, e aquilo que mais me dói não sair uma maldita lágrima que é pra não parecer fraca demais. estou cansada de gente estúpida, estou cansada de tentar ter paciência, estou cansada de gente "good vibes" e de tentar ser uma dessas pessoas dopadas pela energia boa deste universo que parece mais perverso e deste mundo caótico. estou cansada de esperar que algo faça sentido, estou cansada de procurar algum sentido. estou cansada de me contrariar, estou cansada de querer me curar. estou cansada de ter medo por ser mulher, estou cansada de não ser ouvida por ser mulher. estou cansada de tentar convencer as pessoas sobre luta de igualdades mesmo sabendo das mesmas desculpas. estou cansada de explicar sobre meus planos do futuro. estou cansada de reformular todos os dias estes planos. estou cansada de ser sensível demais e ver coisas que só eu vejo e ser tachada de doida por isso. estou cansada de olhares preconceituosos, de desculpas bonitas e veladas. estou cansada das pessoas querendo dizer o que eu deveria fazer, estou cansada de quando ninguém tem algo confortante a dizer. estou exausta de ter nós em cada pensamento meu, e de ter que prosseguir como se nada tivesse acontecendo. estou cansada de gente individualista que só fala merda e condena o próximo, como se não tivesse um instinto animal dentro de si. estou cansada de acreditar que tudo é possível e de ser otimista quando tá tudo uma grande merda.

domingo, 14 de junho de 2015

como se fora brincadeira de roda

é um ano de caos, de coisas intensamente transformadoras. eu tô me esforçando tanto pra ver as coisas diferentes, pra não agir mais da maneira que me fazia sofrer, pra estar disponível e ser disponível pra àquilo que tem que ser. eu me sinto dentro do mar, com uma onda que bate fria em mim e me empurra pra sair do lugar. é trazer à tona aquilo que estava tão bem acomodado (estava mesmo?). e juro que não é vitimização, não é desespero. é uma outra palavra que me escapa de definição. já foi embora o sofrido sufuco de reconhecer que era preciso deixar de ser a antiga. mas, tampouco sei lidar com os sentimentos infantis que insistem em mostrar a cara. não é vergonha deles, e estar tateando sobre que rumo dar à eles. liberdade é não ser escrava dos desejos, não é isso? as vezes não sei de muitas coisas, e tenho a ligeira impressão de cada vez menos sei de alguma coisa. construir, construir junto a mim mesma e a quem eu permitir. que palavra mais incrível, parece solução dos problemas. tão difícil, ninguém falava sobre as nuvens que pairam em cima, e que você não sabe pra onde vai sua construção. não dá pra ver o horizonte do futuro. e volto a insistir pra mim mesma, não é que seja sofrido isso. só é muito novo. me sinto uma menina rodando a saia que acabou de ganhar, tão feliz com a novidade. rodopiar demais dá tontura. me sinto tonta, queria agir. acabo agindo no impulso, quando bate o desespero. nunca fui de ficar parada mesmo. e ai parece que volto todas as casinhas do tabuleiro. me coloco de castigo. por que ainda faço isso comigo? a minha autosuficiencia não dá conta de lidar com meus erros. preciso de outros. outros amigos, outras pessoas, pessoas que nem conheço pra me abraçar. e dizer que o caminho tem percalços mesmo, que tem rochas, e que a gente tropeça. tudo bem se machucar, pára e cuida dessa ferida ai. a vida é uma grande roda de ciranda. as vezes tu perde o ritmo, não sabe de nenhum passo. não olha do pé do lado, ai que a que confunde mais. mas sem se dar conta, você se ritma. só quando não se preocupa se tá certo. precisa ter suavidade e firmeza, não é um jogo de acerto do ponto exato do equilibro. e nem um se manter constantemente girando. é um saber ficar e aproveitar. mas principalmente, saber a hora de sair.